Uma antiga aspiração começa a sair da mente dos sonhadores da BambuSC e se tornar realidade: o Primeiro Bambuseto do Sul do Brasil.
No próximo sábado, (12/06/2010), durante o Curso de Cultivo e Manejo de Bambu serão plantadas pelos participantes as primeiras mudas do que irá se tornar o bambuseto tão almejado pelos integrantes da BambuSC.
O Bambuseto será criado dentro da Fazenda Experimental da Ressacada, de propriedade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e que é adminstrado pelo Centro de Ciências Agrárias. A Fazenda fica situada no sul da Ilha de Florianópolis, mas precisamente no bairro Carianos e fica próxima do Aeroporto Hercílio Luz.
Fotos do local onde serão plantadas as mudas de bambu, e que foram tiradas pelo associado Marcelo Venturi, podem ser vistas clicando aqui.
A todos aqueles que se empenharam para mais esta realização da BambuSC, nossos agradecimentos!!
Reportagem da revista UnespCiência trás uma boa matéria sobre Bambu. Nela o professor Marcos Pereira relata seus mais de 15 anos de pesquisas com Bambu feitas pelo Laboratório de Processamento de Madeira da Faculdade de Engenharia (FE) do câmpus de Bauru da Unesp.
Para acessar a reportagem completa (PDF), clique aqui
Já encontram-se na galeria de fotos da BambuSC, as fotos do Curso de Tratamento de Bambus ministrado pelo bambuzeiro Hans-Jürgen Kleine no dia 21 de maio de 2010, em Campo Alegre, evento previsto no Projeto do CNPq, em conjunto com a empresa Oré Brasil e a UFSC.
A todos que participaram do curso nossos agradecimentos, bem como ao Hans, por partilhar seus conhecimentos.
Na última sexta-feira (dia 21) a BambuSC concluiu com sucesso a segunda etapa de seu compromisso no âmbito do projeto do CNPq e da Rede Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento do Bambu (Redebambu), na forma de um curso sobre os diversos tipos de tratamento do bambu disponíveis para aumentar a sua durabilidade. A parte teórica do curso foi apresentada pelo bambuzeiro Hans-Jürgen Kleine em Campo Alegre, no sítio da Oré Brasil (fábrica de móveis), no período da manhã, para uma dúzia de participantes, sendo seis da Oré, três da UFSC e três da BambuSC.
Após o almoço, oferecido pelo proprietário da Oré Brasil, Sr. Reinaldo Baechtold, o grupo seguiu para visitar a empresa Edisa, que presta serviços à Oré Brasil, referentes ao tratamento do bambu laminado. Lá então aconteceu a parte prática do curso e foi possível observar de perto o processo de cozimento das lâminas com ácido pirolenhoso, bem como o funcionamento da estufa a vácuo para a secagem do bambu. Também se observou o funcionamento de uma máquina que racha os colmos de bambu. O proprietário da Edisa serviu de guia ao grupo, fornecendo todas as informações de modo muito aberto e sem restrições. A qualidade dos serviços prestados pela Edisa é fundamental para garantir o fornecimento da matéria-prima de alto padrão tanto para a Oré-Brasil, quanto também para outros clientes do mercado nacional. A empresa produz lâminas de quatro diferentes espécies de bambu, todas adquiridas em outros estados, enquanto os plantios da Oré ainda não estão com idade suficiente para permitir o corte.
A BambuSC ofereceu este curso pela primeira vez, mas já está sendo agendada uma nova realização, desta vez em Florianópolis, para o próximo mês de agosto. Os conhecimentos adquiridos na etapad de sexta-feira serão incorporados ao livro que a BambuSC pretende lançar ainda este ano sobre o assunto e desta forma serão disponibilizados ao público. Aguardem!
O governo brasileiro se rendeu às inúmeras vantagens do uso do bambu como matéria-prima na construção civil e está investindo em pesquisas científicas para incentivar a produção nacional.
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) destinou R$ 1,8 milhão para 12 projetos que estudam vários aspectos do bambu, desde a produção de mudas até a confecção de blocos laminados. Especialistas acreditam que a Rede Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento do Bambu (Redebambu) vai permitir o desenvolvimento de várias tecnologias de utilização do material nos setores da construção civil, moveleira e de outros artefatos. “O bambu é o negócio da China e o governo federal tem incentivado a sua plantação”, conta o pesquisador da Puc-Rio e presidente da Associação Brasileira de Ciências em Materiais e Tecnologias Não-Convencionais (ABMTENC), Khosrow Ghavami.
O professor da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp, Antônio Beraldo, é um dos maiores especialitas brasileiros sobre o assunto e ressalta a importância da iniciativa. “Podemos esperar muitas novidades e investimentos nos próximos anos”, diz. O pesquisador Marco Antônio dos Reis Pereira, do Departamento de Engenharia Mecânica da Unesp de Bauru, acredita que esse investimento vai disseminar as vantagens da utilização do bambu no País. “Isso abre a perspectiva de um maior conhecimento e divulgação desta planta fantástica, incentivando a pesquisa e utilização”, diz.
Segundo o pesquisador da Unesp, a planta tem mais de 4 mil usos catalogados no países orientais. “De A a Z você pode fazer tudo com o bambu. Mas acredito que os usos mais nobres sejam com o bambu laminado colado e como elemento de construção”, conta.
O uso do material pode baratear a construção de casas, uma vez que substitui tijolos, aço e pode ser usado até mesmo na fundação e estrutura. “O bambu é muito fácil de ser cultivado e em cinco anos, ele já está maduro para ser usado na estrutura de uma casa. Além disso, as plantações de bambu não requerem muitos cuidados com adubos e agrotóxicos. Que outra planta cresce 1,2 metro em 24 horas?”, conta Beraldo. Além disso, o material é resistente a terremotos, dizem os cientistas.
De acordo com pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas, uma casa popular feita de bambu custa em média US$ 400 no Equador enquanto as de alvenaria não saem por menos de US$ 10 mil. Essa diferença de preço só é possível porque lá a tecnologia já é amplamente utilizada.
A matéria-prima tem ainda a vantagem de ter um baixo custo de produção e poder ser plantada em solos ácidos e empobrecidos. “O bambu tem o poder de recuperar solos degradados”, reforça Beraldo. O especialista conta que uma moita da planta pode se alastrar se não for devidamente contida.
Mas para muitos estudiosos, a melhor qualidade da planta é o seu potencial como agente despoluidor. “O bambu sequestra carbono. Para cada hectare de bambu plantado, quase duas toneladas de CO2 são absorvidas”, explica Ghavami. A produção e preparação do bambu para uso na construção também consome 50 vezes menos energia que a produção do aço, por exemplo. “Com essa necessidade de reduzir a emissão dos gases do efeito estufa, plantar bambu é uma solução fantástica”, afirma Ghavami.
País passa a ser líder em pesquisas
Com a criação da Rede do Bambu, o Brasil passou a ser líder em pesquisas sobre o material. Segundo o pesquisador da Puc do Rio de Janeiro e presidente da Associação Brasileira de Ciências em Materiais e Tecnologias Não Convencionais (ABMTENC), Khosrow Ghavami, “o Brasil tem várias pesquisas sobre o assunto e sedia eventos internacionais sobre bambu”, destaca o pesquisador.
De acordo com ele, o País tem conhecimento suficiente sobre o bambu, falta apenas incentivar a produção e comercializar o material de forma mais ampla. “Eu ajudo a orientar projetos de pesquisa de alunos da Rússia, Bélgica, Estados Unidas e China”, conta Ghavami.
Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), os alunos da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) aprendem a criar uma série de utensílios com a matéria-prima. Telhas, janelas, cestos, placas de cimento, estruturas e até carvão são feitos com bambu. “Vamos levar para Moçambique algumas formas de utilizar o bambu para repassar a tecnologia. Lá eles usam muito o carvão para cozinhar e o uso do bambu pode poupar cortes de árvores”, explica o professor Antônio Beraldo.
Além dessas aplicações, o bambu pode ser usado na produção de papel e de etanol celulósico. Em países como a Colômbia e o Equador o material é usado para a construção de casas populares. Mas é na China e na Índia que a planta é utilizada em larga escala em vários setores. “Em Madri tem um aeroporto feito com bambu e na Índia até mesmo o assoalho dos trens é feito com a planta”, conta Beraldo. (PA/AAN)
Bauru pesquisa bambu laminado
Em todo o Brasil, cientistas estudam as aplicações e características do bambu. Um desses pesquisadores é o professor Marco Antônio dos Reis Pereira, do Departamento de Engenharia Mecânica da Unesp de Bauru. Atualmente ele trabalha com o plantio, manejo e desenvolvimento de espécies prioritárias da planta no campus de Bauru. “Verificamos o desenvolvimento anual das moitas de bambu e fazemos um trabalho de viveiro para produção de mudas destas importantes espécies”, conta. Além disso, o pesquisador desenvolveu o chamado bambu laminado colado, que pode ser usado como na indústria moveleira, construção e na arquitetura, como piso. Para isso, ele conta com a ajuda de um grupo de pesquisadores composto por alunos do curso de Design, Arquitetura e Engenharia Civil. “Em laboratório trabalhamos com a caracterização física e mecânica das diferentes espécies de bambu na sua forma laminada (bambu laminado e bambu laminado colado) e também trabalhamos com o material laminado colado para o desenvolvimento de produtos como mobiliário, chapas, pisos, cabos e elementos de construção, entre outros”, conta. O professor do Departamento de Engenharia Civil da PUC-Rio, Khosrow Ghavami, pesquisa a substituição do aço pelo bambu na fabricação de estruturas de concreto. Segundo ele, o material tem resistência suficiente para ser utilizado na fabricação das estruturas. “Com esses estudos estamos provando cientificamente que o bambu pode ser utilizado na construção civil”, diz.
Sua equipe estuda 12 dos 1.200 tipos de bambu já catalogados. “Atualmente, estamos fazendo o mapeamento das suas micro-estruturas para estabelecer as propriedades físicas e mecânicas de cada tipo e verificar a adequação a cada forma de utilização”, explica. (PA/AAN)
Incrível que uma haste tão leve e flexível seja tão resistente – de bambu os construtores do Taj Mahal fizeram a estrutura da cúpula, que durou 400 anos. E a planta que fornece de vara de pescar a isolante de nave espacial ainda faz bem ao meio ambiente.
Vivem em Santa Catarina alguns especialistas em bambu. Um deles, Marcos Marques, engenheiro pela Politécnica de São Paulo, nos recebe em seu ateliê de Florianópolis para uma “aula” de duas horas. Recém chegou da China, onde pesquisou junto a um povo que usa bambu de quatro mil maneiras, nas áreas de alimentação, proteção ambiental; fabrico de utensílios domésticos, instrumentos musicais, móveis, bicicletas, charretes; artesanato, artes plásticas. Em Hangzhou, a 1.200 quilômetros de Pequim, ele entrou num hipermercado para fotografar derivados de bambu. No vigésimo item parou, aquilo não ia acabar nunca.
“O chinês não tem floresta de árvore”, observa Marcos. “Há mais de quatro mil anos seus historiadores já escreviam em ripas de bambu com carvão de bambu: está na cultura deles. Já o Brasil tem cultura de árvore, está no nome, pau-brasil. Então o brasileiro diz: ‘Pra que bambu?’”
Ora, inclusive pra coisas que a gente nem imagina: bambucreto, concreto reforçado; isolante das naves espaciais da Nasa; ou, por ser rico em silício, entrar em ressonância e emitir vibrações magnéticas, até como material para uso terapêutico.
Marcos acha que devemos acelerar seu uso. “Como é que não temos uma política do bambu?”, questiona, salientando outros benefícios: preservar florestas, recuperar solos, reflorestar, conter encostas, repor mata ciliar. Tudo isso ele observou na Austrália, onde viveu e estudou permacultura. “Lá é árido, eles movimentam muita terra para obter água. E, para segurar barragens, plantam bambu.” Na passagem para o terceiro milênio, deitado sob um bambuzal australiano, teve um estalo e disse para si mesmo: “O caminho é por aí”.
Marcos abre uma bolsa de lona de quase dois metros de comprimento e passa a nos apresentar objetos trazidos da China, tudo de bambu (leia na outra página.) Acrescenta que lá também fazem pontes, templos, prédios de até cinco andares. E cita Confúcio (séc. 5 a.C.), que disse: “Dê-me um bambuzal, e construirei uma civilização”.
Dez dias depois de reclamar da falta de apoio oficial, ele próprio descobriu e nos enviou reportagem da Gazeta de Piracicaba, dando conta de que “o governo brasileiro se rendeu às inúmeras vantagens do uso do bambu como matéria-prima na construção civil e está investindo em pesquisas”. Veremos na próxima edição do Almanaque, nessa mesma seção, as perspectivas que se descortinam.
Um asiático verde-amarelo
O vento sul bateu a 90 por hora e nos destelhou a casa no Ribeirão da Ilha, em Florianópolis. Corrigimos o desleixo do construtor (não “amarrou” o telheiro); e, para maior proteção, a jardineira Dilma plantou bambu, que aos 3 anos já se estica aos 20 metros e logo será uma barreira contra ventanias. É um babusa vulgaris vittata, asiático. Há o nativo guadua chacoensis, bom também, mas Marcos orientou a adotar nesta seção o nome científico do asiático: “É mais conhecido e tem as cores da bandeira.” A haste madura é verde-amarela.
Três advertências de quem conhece
1) Não colher brotos a esmo para comer: alguns contêm muito ácido cianídrico, pode ser letal;
2) Se quiser cultivar, escolha a espécie entouceirante:
a alastrante é “um perigo ambiental”;
3) Planeje bem: depois que vira mata, “você só tira com retroescavadeira”.
Falar em planta de mil usos é pouco
De sua bolsona, Marcos vai tirando chapéu, bengala, sabonete, pasta de dente; cabide, mãozinha de coçar costas; tapa-olho recheado com carvão (tira olheiras), sachês de carvão para tirar umidade e cheiros de ambientes (nos hotéis, diz ele, “todo aposento que eu entrava, tinha um atrás da porta”); gamelas (lindas, parecem de cerâmica pintada); pegador de alimentos, concha, espátula, apoio de pratos, faca de pão; rastelo; placa de aparas prensadas para assoalho (“a prensa, em Hangzhou, tem 18 metros de altura”). Encerra com um vidro de vinagre, que, segundo diz, serve pra tudo: “Lá, se alguém tem um ferimento, inflamação na pele, o povo fala ‘Passa vinagre de bambu, que sara’”.
Ele não trouxe, mas mostra uma ilustração de prótese para substituir perna amputada. E, de repente, abre a camisa e exibe a medalhinha negra, microescultura de dragão chinês: “Tira energias negativas”. É de pó de carvão de bambu.
Saiba Mais
Bambu de Corpo e Alma, de Marco Antonio dos Reis Pereira e Antonio Ludovico Beraldo (Canal 6, 2007).
Associação Catarinense do Bambu: www.bambusc.org.br
Sítio Vagalume, de Marcos Marques: www.sitiovagalume.com
Bambu Brasileiro: www.bambubrasileiro.com
A Associação Catarinense do Bambu, em parceria com o Centro de Ciências Agrárias da UFSC, comunica que estão abertas as inscrições ao novo curso sobre cultivo e manejo de bambu.
Data: 12/06/10 (sábado) Horário: das 09:00 às 13:00 e das 14:00 às 18:00
Local: Fazenda Experimental da Ressacada - UFSC, situada na Rua José Olímpio da Silva, 1326 no bairro Tapera, Florianópolis/SC
Instrutor: eng. florestal Thiago M. Greco (BambuSC)
Programa: Módulo teórico (4 horas):
Importância e usos
Características gerais dos bambus
Produção de mudas
Cultivo de bambus
Manejo do bambu
Módulo prático (4 horas):
Taxonomia e identificação das espécies do local
Produção de mudas (principais técnicas de propagação)
Plantio
Colheita
Valor do investimento: R$100,00 (Desconto para alunos da UFSC e membros da BambuSC)
Limite de vagas: 30 participantes
Esse curso tem como um de seus objetivos a implantação do primeiro bambuseto de Santa Catarina.
Informações e inscrições: tel. (48) 3338 2087 (BambuSC) ou pelo e-mail hjkleine@floripa.com.br
O professor Antonio Ludovico Beraldo, diretor associado da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri), esteve no mês de maio em Moçambique, num projeto de transferência de conhecimento que faz parte de um acordo de cooperação técnica de desenvolvimento urbano existente entre o Brasil e o país africano.
Para ver a matéria completa sobre a viagem do Prof. Beraldo, acesse o Jornal da Unicamp clicando aqui!